Imagine que uma prova é inserida no processo penal demonstrando, de maneira aparentemente inquestionável, a autoria ou a materialidade de um crime. Contudo, ninguém sabe exatamente como ela foi formada. Não há nenhum método verificável. Ninguém compreende como se chegou àquela conclusão. Não se sabe qual o caminho percorrido. Há apenas um sistema. Uma inteligência artificial. Parece cena de ficção, mas é a realidade da utilização da IA na formação da prova penal. Há um desconforto real, vivido no cotidiano das investigações e dos julgamentos.
Esta obra, fruto das inquietações de um delegado de polícia em atividade à frente de investigações que se desenvolvem, cada vez mais, com aparatos tecnológicos e de inteligência artificial, e da pesquisa durante o mestrado em Direito, é uma importante contribuição para aqueles que buscam pontes sólidas entre a academia e as profissões jurídicas sobre um tema que tende a ser cada vez mais enfrentado por estudantes, concurseiros, delegados, advogados, defensores públicos, promotores e juízes.