A provocação deste livro, cujo texto retrata amplamente a racionalidade hegemônica universalizante que dominou o processo de redemocratização e que se mantém ainda hoje (também presente na racionalidade da produção do conhecimento jurídico tradicional), parte da hipótese de que o discurso do esquecimento referente às graves violações de direitos humanos cometidas no período de 1964-1985 poderá ser mais bem desconstruído em um contexto democrático se utilizadas estratégias epistemológicas que levem à sério essa desconstrução e que não se constranjam em reconhecer que esse discurso do esquecimento foi cuidadosamente construído sob as marquises das sedes dos três Poderes.
Este livro deve ser lido como um registro da nossa história democrática, cujas fontes são datadas e foram conservadas para este fim. De todo modo, considerando que o passado é tão disponível quanto o futuro, é desejável que o questionamento sobre as invisibilizações produzidas pela nossa democracia ou sobre as criações de um outro-inimigo capaz de atravessar contextos políticos diametralmente distintos, instiguem as presentes gerações a utilizar novas lentes para a construção de um constitucionalismo democraticamente mais engajado com a diversidade e com o inegociável respeito aos direitos humanos.