Qual o fio que alinhava uma coletânea senão as inquietações que a movem? Em Estudos Transdisciplinares de Direito e Cercanias, a unidade reside na própria recusa de uma linha única e dogmática. A obra propõe uma rigorosa prática da trans(in)disciplina: um método que desconfia das fronteiras e que convida a pensar o Direito a partir de fora, que assume a incerteza como lugar de diálogo e que enxerga o Direito como um projeto aberto, em constante contágio com suas “cercanias” — a filosofia, a sociologia, a política, a antropologia, a história e as artes.
Alinhados a uma epistemologia crítica e materialista, os textos aqui reunidos partem de uma premissa fundamental: o pensamento não é espontâneo, ele é forçado por um encontro com problemas que não se deixam domar. O leitor é convidado a um exercício de deslocamento e a um percurso que não busca respostas, um passeio pelos territórios vizinhos ao jurídico, não para colonizá-los ou diluir a especificidade do Direito, mas para lançar novas luzes sobre problemas que nos são familiares.