Por que a literatura, em toda época e cultura, insiste em
voltar à figura do advogado criminal? Do teatro grego ao romance de massa, da
farsa medieval à ficção latino-americana, poucas profissões foram narradas
pelos escritores com tamanha constância — e com tamanha ambivalência. Ora o
defensor surge como herói que se coloca entre o acusado e sua destruição; ora
como figura desconfortável, o advogado do culpado, do impopular, daquele que a
opinião pública já condenou.
Advocacia Criminal na Literatura reúne 25 ensaios de
28 profissionais do Direito — advogados criminalistas militantes, magistrados e
professores de ciências criminais, brasileiros, chilenos e portugueses — que
percorrem obras clássicas e contemporâneas a partir de um olhar singular: não o
do crítico literário, mas o de quem atua nos tribunais. Cada autor elegeu uma
obra e nela investigou o que a ficção tem a dizer sobre a arte de defender.
O que emerge do conjunto é uma tese que a literatura sempre
intuiu: a advocacia criminal não se justifica pela inocência do cliente, mas
pela existência do processo. Defender é condição de legitimidade do julgamento.