Este livro identifica uma criminologia cultural brasileira emergente que combina a criminologia crítica brasileira e latino-americana com os novos caminhos de investigação e metodologias que caracterizam a criminologia cultural de forma mais ampla. Reunindo diversas perspectivas, oferece uma nova visão da criminologia cultural que demonstra seu alcance internacional e abordagens inovadoras para explorar os problemas específicos da realidade periférica do Brasil. Oferece uma janela para o Brasil passado e presente, discutindo temas de colonialismo, escravidão, genocídio, eugenia, letalidade policial, prisão em massa, grupos urbanos, bolsonarismo, gangues de jovens, representação mediada e a pandemia.
O trabalho conjunto de criminologistas do Brasil constitui uma nova faceta da criminologia crítica brasileira e uma nova faceta da própria criminologia cultural. Ligados pela sua identidade política comum, estes campos continuam a desenvolver-se e a espiralar juntos, desafiando noções aceitas de localidade e reinventando formas académicas e quotidianas de resistência em diferentes arenas do Sul Global e do Norte Global.
Este livro demonstra que a recepção e incorporação de metodologias e ideias da criminologia cultural na criminologia crítica brasileira não revelam uma simples reprodução, mas sim que os criminologistas brasileiros continuam a reinventar e contestar, a partir das margens, a própria criminologia cultural do Norte Global a partir da qual se inspiraram para refinar e expandir o conhecimento crítico acumulado posicionado contra a criminologia administrativa.