Há livros que nascem de uma inquietação teórica e há livros que nascem de uma inquietação ética. Os melhores nascem das duas ao mesmo tempo. É o caso desta obra, fruto da dissertação de mestrado de Aline Marceli Schwaikardt defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Direito da UNIJUÍ [...] O problema que a autora enfrenta é, ao mesmo tempo, antigo e urgentíssimo. Quem tem a palavra, afinal, na construção das políticas criminais e de segurança pública? A pergunta atravessa o livro como fio condutor e expõe, sem rodeios, o paradoxo que assombra as democracias contemporâneas. A Constituição de 1988 consagrou o pluralismo político e a soberania popular como fundamentos do Estado Democrático de Direito, mas a prática político-criminal brasileira permanece capturada por uma lógica de exclusão e seletividade que silencia precisamente aqueles que mais sofrem os efeitos da repressão penal. Aline Schwaikardt escreve com a inteligência de quem domina a teoria e com a sensibilidade de quem não perdeu a capacidade de se indignar. Trata-se de uma pesquisa que sabe que pensar é ato político e que o direito, sendo em essência uma linguagem de poder, pode e deve tornar-se uma
linguagem de encontro.