Criminosas, prostitutas, incautas, feiticeiras e sexualmente depravadas — essas são as imagens que se contrapõem à feminilidade ideal atribuída à mulher branca no século XIX. Em “Raça, Gênero e Criminologia: reflexões sobre o controle social das mulheres negras a partir da Criminologia Positivista de Nina Rodrigues”, a autora oferece chaves de compreensão dos processos de controle social que recaíram sobre os corpos femininos negros no final do século XIX. A partir da análise das representações femininas nas obras de Raimundo Nina Rodrigues, Naila debate como a racialização das mulheres funcionou como estratégia de perpetuação do poder das elites sobre os corpos femininos negros no pós-abolição. Racismo científico, Direito Penal e Criminologia se entrelaçam, produzindo imagens de controle nos processos de criminalização e vitimização de mulheres negras.
Trata-se, portanto, de uma obra que nos convida a reposicionar as discussões a respeito da figura da “mulher universal” na Criminologia, consolidando-se, nas palavras do professor doutor Luciano Góes, como “um marco teórico que articula um diálogo intergeracional, oferecendo chaves de compreensão dos processos criminalizantes (in)formais”.