O que confere a este livro um caráter de leitura essencial e altamente engajadora é a rara simbiose entre a prática de quem vive a disputa eleitoral e o rigor teórico de quem a submete a um escrutínio crítico. Ingrid se recusa a aceitar os fenômenos digitais como fatos consumados. Ela exige que compreendamos a infraestrutura que o sustenta e os mecanismos subjacentes à sua operação.
A grande contribuição desta obra é o mapeamento da Monetização da Política. O livro transcende a discussão sobre fake news e impulsionamento para focar no novo sistema circulatório das campanhas: a transformação do eleitor e sua informação em um ativo financeiro algorítmico.
A novidade reside na análise de como a lógica do Capitalismo de Vigilância converte a atenção – aquela matéria-prima escassa da era digital – em valor monetário, reconfigurando não apenas o financiamento, mas a própria estratégia de convencimento. Não se trata mais apenas de gastar dinheiro; trata-se de extrair valor dos dados e do engajamento para otimizar, predizer e, finalmente, comprar a eficiência eleitoral. Ingrid nos força a ver que, no cenário digital, o debate público foi substituído por uma transação de mercado.