Nas redes sociais, a crítica pública deixou de ser apenas exercício de liberdade de expressão para, em muitos casos, assumir a forma de punição simbólica, exclusão moral e destruição reputacional. A chamada cultura do cancelamento emerge, nesse cenário, como fenômeno ambíguo: ora reivindicada como mecanismo de responsabilização social, ora vivenciada como linchamento virtual desprovido de mediações institucionais. Entre denúncias, julgamentos coletivos e algoritmos que amplificam conflitos, indivíduos são expostos a sanções informais cujos efeitos ultrapassam o ambiente digital e atingem diretamente a dignidade, a vida privada e os projetos existenciais.
É a partir dessa tensão que A vida para além das telas propõe uma investigação jurídica crítica sobre os limites do cancelamento nas redes sociais. Combinando análise histórica, estudos de casos concretos e reflexão dogmática, a obra examina a possibilidade de responsabilização civil dos agentes do cancelamento e das plataformas digitais, discutindo abuso de direito, danos morais e existenciais e os desafios da regulação no ambiente digital. O livro convida o leitor a repensar a relação entre justiça social, liberdade de expressão e devido processo legal em um tempo marcado pela exposição permanente.